quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Semana Jurídica debate "Sexualidades, Famílias Contemporâneas e Cultura Jurídica”

Por Hugo Leite

A VII Semana Jurídica da FTC que nesta edição discutiu o tema “Direito e Sexualidade”, teve início no dia 15 de outubro, no auditório Astor Pessoa, com o Pocket Show de Marina Garlen e a mesa redonda “Sexualidades, Famílias Contemporâneas e Cultura Jurídica” com os palestrantes Felipe Garbelotto, Ricardo Henrique, Teresa Cristina Oliveira e Marina Garlen.
À noite, para discutir o tema “Sexo, Poder e Direito”, o evento contou com a palestra de Gilton Carlos Santana, pós-graduado em Direito Público, e a apresentação do curta-metragem “Depois de Tudo”.
A introdução ao tema do debate foi dada com a exposição do filme que aborda a intimidade de um casal homossexual em suas relações domésticas. Em seguida, o palestrante Gilton Santana debateu as questões de gênero no meio jurídico sob uma perspectiva histórica e com foco nos grandes pensadores.
“A história da sexualidade nos remete a Aristóteles. Ele afirmava que a mulher era um ser incompleto. Já Diderot, dizia que a fêmea era comandada pelo útero, enquanto o homem era regido pelo cérebro”, explicou.
Para Gilton Santana, a família tem um papel fundamental na relação de igualdade entre os sexos.
“Mesmo que o Estado tenha uma política que assista às mulheres, o maior dever de respeitar os direitos inerentes ao gênero está no núcleo familiar”, diz.
Segundo ele, a sociedade ainda carrega preconceitos e não está pronta para viver uma fase mais libertária quanto às diferentes escolhas sexuais.
“A liberdade sexual ainda é um tabu. As pessoas têm dificuldades em aceitar o diferente e as reproduções de estereótipos, no que diz respeito aos papeis do homem e da mulher, contribuem para esse quadro”.
De acordo com Viviane Conceição, estudante do 3º semestre de Direito da FTC, a temática da Semana Jurídica é importante para deixar o aluno informado sobre as problemáticas atuais.
“Debater esse conflito é muito pertinente. A Faculdade é o lugar ideal para tratarmos dessas questões. E o estudante de Direito tem que estar atento a um assunto tão em voga na sociedade,” diz a discente.  
O vídeo "Pergunte às Bee - Retrospectiva", marcou a abertura dos trabalhos do dia 16 de outubro. Posteriormente, o evento seguiu com o tema "Sexualidade em Cárcere" com os palestrantes Ana Lívia Braga, Luiz Araújo, Jalusa Arruda e Marcus Magalhães.
O segundo dia do evento contou ainda com a apresentação do trabalho discente "Estupro Carcerário - notas introdutórias" com José Amauri dos Santos Nascimento; o minicurso " Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes" com Sandra Santos.
À noite os participantes puderam conferir a Mostra de Vídeo "Os Sapatos de Aristeu" e o debate sobre o tema "Sexualidade: interfaces com os movimentos sexuais e políticas públicas" com a presença de Paula Torres e Gesner Braga.
No dia 17 de outubro, último dia da VII Semana Jurídica da FTC os presentes acompanharam, pela manhã, a mostra do Vídeo "Rotas da Ilusão" seguido de debate com o tema "Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais e Organização LGBT" com os palestrantes Admar Fontes Júnior e Gilmário Nogueira, tendo como mediadora da mesa, Fabíola Coelho. Pela tarde foi realizado o minicurso "Movimentos de Prevenção e Combate ao Tráfico de Pessoas".
À noite, o evento contou com um debate interdisciplinar sobre o tema central do evento: “Direito e Sexualidade” com a presença da Doutora em estudos do Direito, Salete Maria da Silva, que abordou o assunto “Gênero, Sexismo e Praxis Jurídica” em sua palestra.
“O sexismo explica porque o homem é tido como o paradigma da sociedade. Ele é o parâmetro. E o Direito sedimenta quem pode exercer sua sexualidade” afirma a doutora.
Para ela, as decisões dos tribunais explicitam qual é o entendimento social quanto ao espaço masculino e feminino na sociedade.
“O Direito de Família está impregnado de uma lógica patriarcal em que à mulher é destinado o privado (casa) e ao homem o público (trabalho). Essa interpretação fica clara, quando os juízes dão a guarda dos filhos às esposas. O que é jurisprudência até hoje” explica Salete Maria.
Professor de Psicologia da FTC Feira de Santana, Adriano Cysneiros, falou da família e suas novas composições.
“Os saberes que visam proteger o núcleo familiar acabam por torná-la uma estrutura rígida, que não está aberta a singularidades” pontua o docente.
Na opinião de Adriano Cysneiros, a integridade da família é abalada pelas expectativas que os pais têm sobre a vida dos filhos.
“A educação transmitida aos filhos é centrada em investimento e retorno. O que acaba sendo a causa do afastamento dos que se tornam homossexuais”.   



As redes e suas implicações sociais e emocionais

Por Hugo Leite

O relacionamento interpessoal ganhou novos contornos a partir das ferramentas de interação que a internet nos apresenta. Se antes os fatos podiam repercutir pela vizinhança, ou até mesmo aos ouvidos de todos no bairro, agora as redes sociais fazem nascer polêmicas em poucos segundos, com abrangência até mundial.

O fascínio que as redes sociais desperta é proporcional à desinformação dos usuários, que no afã de publicar e compartilhar informações, ferem o direito do próximo, muito em função do desconhecimento dos termos de uso de cada rede.

Segundo a coordenadora do curso de Direito da FTC Feira, Geruza Gomes, não há um controle legal para punir os usuários infratores.

“As pessoas agem nas redes sociais acreditando que não serão identificadas e também contam com uma legislação cibernética incipiente”, diz.

Porém, com os diversos casos relacionados a crimes digitais, o Congresso Nacional aprovou no fim de 2012, a inédita lei 12.737/2012, que faz referência a crimes virtuais. Em vigor desde 03 de abril de 2013 e conhecida como lei “Carolina Dieckmann” – A lei não possui relação direta com o caso, mas o avanço das discussões do projeto coincidiram com o vazamento de fotos íntimas da atriz na internet – a legislação tipifica como crime pontos importantes da segurança digital, como a invasão de computadores ou dispositivos móveis de terceiros, conectados ou não à Internet, para envio de vírus e acesso a dados sem autorização.

Como terreno informal, as pessoas também costumam propalar fatos inverídicos e disseminar o disse me disse, numa onda de profusão de informações sem fontes confiáveis e nem apuração do ocorrido. Assim, acabam espalhando o medo, como no caso da célebre invasão marciana divulgada por Orson Welles, em uma rádio americana, no começo do século passado.

Perseguições na rede

Capaz de mobilizar milhares de pessoas em torno de uma causa digna, como nas manifestações de junho do ano passado no Brasil, as redes sociais também têm mostrado o poder de gerar perseguições racistas e discriminatórias, chegando a formar grupos com esse tipo de perfil.

Pensamentos xenófobos, homofóbicos e de intolerância religiosa ganham espaço nas redes sociais, onde muitas vezes não há um filtro capaz de restringir esse tipo de ideologia.

“A falta de cultura que toma conta da sociedade dá vazão a essa onda de ideias e correntes discriminatórias, que se espalham pelo ambiente virtual. Essas novas ferramentas virtuais são apenas facilitadoras do que sempre existiu,” argumenta a coordenadora.

Além da veiculação de preconceitos, a dignidade dos usuários tem sido atingida por meio da circulação de imagens e vídeos íntimos, que em alguns casos, chegam a causar suicídio entre os jovens expostos a esse tipo de repercussão na rede.

A coordenadora do Serviço de Psicologia e Clínica Escola da FTC Salvador, Laiz Cardozo, fala sobre os danos emocionais que podem ser causados pela exposição excessiva nas redes sociais.

“Estamos numa sociedade intimamente ligada à exibição e a rede social é um instrumento forte no processo da coisa privada se tornar pública. Nesse cenário, as pessoas perdem o limite entre os dois campos e acabam comprometendo suas vidas sociais por compartilhamentos de documentos pessoais”.


Ela também comenta as possíveis implicações emocionais. “As consequências variam de pessoa para pessoa, mas os sintomas mais comuns de uma repercussão de imagens ou vídeos indesejados são crises de ansiedade e até um quadro de depressão,” explica Laiz.


Comunicação nas organizações

Por: Maurício Gramacho

Com o tema ‘Comunicação nas organizações: ferramenta para gerenciamento de crise’, o Prof. Me. Derval Gramacho ministrou um minicurso para mais de quarenta participantes inscritos na nona edição do Intercult/2014, um evento multicultural realizado pala UNIJORGE da Av. Paralela.

Atualmente lecionando nos Cursos de Administração, Marketing e Logística do Campus Comércio, o professor defende a tese de que toda crise passa pela comunicação, principalmente porque nenhuma pessoa possui repertório idêntico ao de qualquer outra pessoa.

Partindo dessa premissa como o primeiro e mais difícil ruído para consumar um processo comunicacional positivo, Gramacho afirma que ao tentar tornar comum uma informação, um fato, um evento, um acontecimento, em parte, isto se realiza;  contudo, a mensagem será decodificada por cada receptor de acordo com sua capacidade cognitiva de assimilação, interpretação e negociação que lhe é dada pelo seu repertório (bagagem de vida), por sua cultura e até mesmo pela ideologia à qual está submetido.

Por mais fácil que possa parecer o fato de nos comunicarmos todo o tempo, comunicação não é um processo simples ou de fácil realização. Toda comunicação se realiza através de um processo de negociação, ou seja, cada código componente da mensagem vai ser interpretado pelo receptor a partir de uma negociação que compreende os valores que cada código tem para este sujeito, de acordo com os significados que para ele representa cada significante.

Destacou também a importância de não nos damos conta de como o nosso consciente e inconsciente são rápidos e capazes de processar essas ações em frações de segundos. Os demais ruídos da comunicação parecem sumir diante do gigantismo deste fenômeno.

“Uma má comunicação é, quase sempre, o principal estopim de uma desavença, de uma briga, do rompimento de relações, de desestruturação, logo, gerador de uma crise por vezes irreversível”, disse Derval. “O mau uso das palavras e das normas gramaticais, a desobediência às regras ortográficas que podem levar a interpretações completamente equivocadas, até a obediência cega às regras do Word que, via de regra, não são verossímeis, podem complicar ainda mais o objetivo de produzir uma boa comunicação”, completou.

No âmbito da comunicação organizacional, destacou que a primeira atitude de quem quer comunicar é identificar o público alvo de sua mensagem, respeitar-lhe a diferença, as variáveis culturais, o nível sócio-educativo.

E, ainda que sejam empregados os melhores recursos, nada será suficiente para garantir o convencimento pleno de um discurso. Por mais que se pareçam uns com os outros, é preciso entender que cada sujeito da espécie humana tem sonhos, desejos, pulsões, e vontades únicas.

Ao final da sua explanação, o professor concluiu brilhantemente que, sendo cada indivíduo um organismo exclusivo, específico e diferente de todos os demais, acredita que a comunicação entre os sujeitos se realize por aproximação dos valores de cada um; da negociação constante das suas verdades, o que pode permitir ou possibilitar a cada comunicado uma resposta positiva, mas que não implica na aceitação do que está sendo comunicado.

A audiência se manteve atenta e interessada ao longo de toda apresentação, e saiu satisfeita com todo conhecimento disseminado, com esperança de que as futuras edições da Intercult sejam igualmente produtivas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Palestra Gente.net explica relação das pessoas com a Revolução Digital

*Por Ulisses Gama

Como é viver em rede? Como as pessoas chegaram ao ponto de realizar atividades do cotidiano virtualmente? Como essa revolução digital aconteceu? Foram algumas das perguntas respondidas na palestra Gente.net, ministrada pelo Professor Paulo Leandro. A palestra fez parte da 9ª edição do INTERCULTE - Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação, evento promovido pelo Centro Universitário Jorge Amado - UNIJORGE.

Quem acompanhou a palestra conseguiu entender um pouco mais sobre a vida em rede e como esta revolução digital mudou o nosso jeito de viver e perceber o que está ao nosso redor. Temas como felicidade afetiva, aurora digital e a pós-modernidade foram os tópicos mais discutidos.

O palestrante Paulo Leandro respondeu algumas perguntas sobre a palestra:

Jornalismo Unijorge: Como é discutir a revolução digital com jovens que vivem intensamente esta revolução?

Paulo Leandro: Com muita humildade, e com um olhar de aprendizagem. Afinal, vocês, jovens, são os líderes dessa revolução. Muitos poderosos não acreditaram no computador pessoal, mas Steve Jobs acreditou na união entre ciência, arte e religião e vivemos essa revolução.

JUnijorge: A revolução digital atrapalha o ser humano de alguma forma?

PL: revolução digital é a aurora, é a inovação. Não atrapalha o ser humano de maneira nenhuma. Velocidade, memória e a integração nos ajudam hoje em dia.  

JUnijorge: O que é a aurora digital?

PL: É o renascimento, é a revolução. Hoje podemos viver uma livre relação na rede.

JUnijorge: O que mudou em sua vida com esta revolução? 

PL: Conheci pessoas importantes na minha vida através das redes sociais. É um exemplo prático na minha vida. A rede turbina a velocidade, a memória e a integração.

JUnijorge: Por que a revolução digital tem maiores proporções que as outras grandes revoluções?

PL: A Revolução Digital avançou mais do que a Industrial, por exemplo. A Revolução Digital nos libertou muito mais do que aquele apertar de parafusos. Na rede, nós podemos aprender um com o outro. .

JUnijorge: Para você, como é viver em rede?

PL: Viver em rede é estar junto em nossos grupos sociais a todo o momento, com o nosso celular ou computador em mãos. A internet não é uma ferramenta qualquer.

JUnijorge: Como você vê a Internet?

PL: A internet é uma ferramenta de libertação. A condição primordial para a internet é o conceito de liberdade. Não podemos perder essa liberdade. A internet é poliamor.


Após palestra, Paulo Leandro tirou fotos com os alunos. 

Locushow

Por: Ícaro Souza

O que era para ser mais uma oficina de locução, em mais um evento universitário, foi na real uma verdadeira cachoeira de conhecimentos e troca de experiências na palestra sobre radio-jornalismo do jornalista Leandro Pessoa.

Desde quando o Leandro começou a sua palestra, os olhares e os ouvidos não perdiam um só slide e uma só palavra que Pessoa expressava. Levando a ideia de discutir a linguagem do rádio, ele levou exemplos de programas, narrações e propagandas radiofônicas.

Na sala, pessoas experientes e pessoas que nunca falaram na frente de um microfone, puderam botar em prática e testar seus dons nos equipamentos oferecidos. No canto escondido e com um certo receio de se manifestar, um talento que nunca tinha entrado em um estúdio nem muito menos feito algum tipo de gravação, deixando o palestrante perplexo.

“Sempre falaram que minha voz é muito bonita, mas nunca procurei fazer nenhum trabalho com ela. Fico feliz que uma pessoa experiente tenha avaliado ela e que tenha gostado, isso me encoraja cada vez mais”, revela Genivaldo.


No fim da palestra o momento em que todos esperavam, Pessoa formou grupos para gravarem um texto que ele tinha levado, aplicando as técnicas aprendidas durante o dia. A expectativa de todos na sala, não era apenas usar na prática o que se aprendeu na teoria, e sim ouvir a grande voz que fez sucesso antes das gravações.

Por fim, textos lidos programas gravados e a voz que todos esperavam, ecoava nos autos falantes do laboratório como se fosse de um locutor profissional com anos de estrada, emocionando não só ao palestrante como o próprio 'aprendiz'.