segunda-feira, 17 de novembro de 2014

" O cinema concorre com o smartphone", afirma Cláudio Marques

Por: Giulia Marquezini


O Interculte – Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação, foi promovido pelo Centro Universitário Jorge Amado, e deu a oportunidade ao público de discutir crítica cinematográfica com o cineasta e diretor do Espaço Itaú de Cinema Cláudio Marques.  No dia 28 de outubro, Cláudio discutiu o tema com estudantes da faculdade, e com o público ouvinte, relembrando a história do cinema brasileiro, principalmente, o baiano.

De forma atenciosa e calma, Marques procurou responder a todas as perguntas do público. O diretor lembrou que, quando os Centros Históricos das grandes cidades foram ficando esvaziados, o cinema de rua perdeu força e os cinemas de shoppings se multiplicaram. 

Na década de 90, o cinema se reinventa. A TV, o vídeo-cassete, a internet e a tv a Cabo chegaram para tirar público dos grandes templos de rua, como eram os cinemas. “A solução encontrada pelo mercado foi compartimentar as grandes salas. Porém, muitas se extinguiram. Hoje, o cinema concorre com tudo, inclusive com o smartphone”, afirma.  

Sobre o cinema brasileiro, Marques disse que continua muito fechado. “O cinema, em si, é uma forma de expressão que nos faz transpor uma janela. O cinema baiano precisa participar dos festivais nacionais e estrangeiros e se abrir mais, procurar sair deste isolamento”. 

Já em relação à crítica cinematográfica, ele discutiu o pouco espaço nos jornais e que os blogs tem preenchido um pouco esta lacuna. Marques deu dicas aos estudantes que querem ser diretores e roteiristas de cinema. “É preciso ter disposição para o filme. Sempre estamos aprendendo, mesmo que seja pra descartar depois. O cineasta e o artista que cria devem estar na rua, porque é preciso ter alguma coisa pra dizer”, disse.

O cineasta, nascido na cidade paulista de Campinas, mora em Salvador desde 1982, foi editor e crítico do jornal Coisa de Cinema de 1995 a 2003, responsável pela programação da Sala Walter da Silveira de 2007 a 2009 e, desde 2009, está à frente do Espaço Itaú Glauber Rocha, um dos principais cinemas de rua de Salvador.  Em 2013, o cineasta lançou, em parceria com a também diretora Marília Hughes, o longa Depois da Chuva.

O filme, que é o primeiro longa-metragem do casal, se situa em um momento específico do passado brasileiro, com a abertura democrática do Brasil na década de 80. Ganhador de três prêmios no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2013, o filme continua premiado. Conquistou, recentemente, o prêmio de melhor filme estrangeiro no Harlem International Film Festival, realizado em Nova York neste ano.






Perguntas

Como você começou sua carreira no cinema?
Quais as dificuldades em realizar seu primeiro longa aqui na Bahia?
Como você acha que se encaixa no cinema baiano e nacional? É um divisor de águas?
Como você avalia as políticas culturais para o mercado cinematográfico baiano nos últimos tempos?
Você acredita numa democratização do cinema? Como o espaço Itaú Glauber Rocha colabora com isso?
Qual a importância de ter salas de cinema fora dos grandes Shoppings Centers?
Qual a importância dos festivais como o Panorama Internacional Coisa de Cinema para o cinema baiano?


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Criatividade e conteúdo, traz audiência e prosperidade pro rádio baiano



 Por Tayane Costa

Você já deve ter ouvido falar no programa Conexão Transamérica e se já ouviu, com certeza conhece Ildázio Tavares. O nome você pode até não lembrar, mas a sua voz e a forma divertida de falar sobre todos os assuntos e até mesmo os tabus da sociedade, você se lembra. Pois bem, durante o Interculte, um evento feito pela Universidade Jorge Amado, este radialista deu uma palestra falando sobre Programas e Programações de Rádio na Bahia.


O palestra conversou com a gente após a palestra:

Jornalismo Unijorge: Quais são os principais pilares ter um programa de rádio?

Ildázio Tavares: Conteúdo, verba e produção. O conteúdo do radialista que trás de bagagem ao programa e o quando ele sozinho busca informações sobre o assunto de cada programa. A verba depende do que produz, do que interessa. A produção faz o planejamento, a marcação com o material humano.
 

Jornalismo Unijorge: O que precisa ter no rádio baiano?

Ildázio: Mais programas de variedades. Menos programas de esporte, política e entretenimento. Precisa de programas de mundo animal, nichos.


JU:Conte um pouco do momento em que entrou na transamérica?

Ildázio: Tinha acabado de sair da hipertensão e estava voltando para Salvador, quando Inés (da transmérica) me fez proposta de participar da transamérica. Fiquei por lá por 12 anos.


JU:Em que momento percebeu que estava famoso?

Ildázio: Após o hipertensão. Tinha revista com o meu rosto estampado e tudo mais. Eu comendo insetos e o povo perguntando como eu fiz isso.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cores e glamour marcam palestra de Gabriela Cruz

Por Lorena Souza

Moda, beleza, assessoria de comunicação e os bastidores de todo grande evento foram os temas da palestra de Gabriela Cruz. A editora do caderno Bazar do jornal Correio, foi uma das convidadas da nona edição do Interculte (Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologia e Educação) do Centro Universitário Jorge Amado, evento realizado entre os dias 28 e 30 de outubro.

Durante a palestra, Gabriela trouxe alguns números da São Paulo Fashion Week (SPFW), convites e releases de assessoria bem elaborados, além de nomes de jornalistas baianas que conseguiram se destacar no mundo da moda, a exemplo de Ágata Fidelis, formada pelo Centro Universitário Jorge Amado e que, atualmente, trabalha na L’Officiel.

Gabriela conta que o jornalismo a escolheu, porque o que ela queria mesmo era ser publicitária. “Quando comecei a cursar as duas faculdades, acabei optando por jornalismo e percebi que poderia trilhar um caminho que me fizesse feliz e posso dizer, hoje, que sou feliz.”

A palestrante respondeu algumas perguntas sobre a rotina do jornalismo, moda e estilo dos baianos:

Jornalismo Unijorge: Qual foi o melhor momento da sua profissão?

Gabriela Cruz: O amadurecimento é o melhor da profissão. Entrevistar um estilista como Vitorino Campos, 26 anos, que está estourado no país, e ele lembrar que me deu a primeira entrevista aos 19 anos. Ver como ele evoluiu e sentir que fiz parte indiretamente dessa história todas as vezes que escrevi sobre ele.

JU: Primeiro desfile que cobriu?

GC: Não lembro o primeiro desfile, mas lembro que a primeira entrevista foi para Cauã Reymond, quando ele desfilou na Semana Iguatemi de Moda há uns 10 anos e ele fez uma selfie comigo usando minha câmera (rs). Eu estava tirando fotos das araras com as roupas que seriam desfiladas e ele perguntou se eu não queria fazer foto com ele. Nesse mesmo dia, entrevistei a apresentadora Mariana Weickert, que na época era uma modelo estourada e estrela do evento. Não fiquei tensa porque vinha de um trabalho como assessora de imprensa de um sindicato que me colocou cara a cara com grandes executivos do país, presidentes de companhias como a Bradesco Seguros. Já estava preparada.

JU: Como funciona o trabalho de jornalismo de moda?

GC: No caso do Bazar, não fazemos jornalismo de moda apenas. Ele é um caderno de variedades. Escrevo mais sobre beleza ou decoração do que sobre moda, mas a moda acabou ficando mais presente do que os outros assuntos por afinidade. Leio muitas revistas, leio os sites, principalmente o FFW, estou sempre em contato com estilistas baianos, alguns viraram meus amigos, inclusive. Vivo em busca de um "furo", uma novidade.

JU: Como é a sua rotina?

GC: Chego no jornal por volta das 11h e fico lá até as 19h. Fazemos reuniões de pauta, vejo as necessidades da equipe (somos em 6), leio os emails (por volta de 400 por dia), faço minhas matérias e edito o caderno. Recentemente o Bazar ganhou uma página no site do jornal Correio e temos que pensar em conteúdo para esse canal também. Ainda somos fracos nas redes sociais, mas esse olhar está em nossos planos (falo "nossos" porque são decisões tomadas em equipe sempre).

JU: Está sempre em contato com as marcas?

GC: Tenho contato próximo com os estilistas locais. Quanto às marcas nacionais, recebo muita informação de assessoria de imprensa. Cabe a mim ver nesse material um recorte para nosso público.

JU: Acredita que os soteropolitanos são ligados em moda?

GC: Os soteropolitanos são ligados em moda em vários graus. Temos os mais interessados, que sabem de tudo que rola nesse universo, até as pessoas que entendem moda como algo trivial. Mas como uma grande metrópole, Salvador está sintonizada à moda e lançando algumas modas.


JU: Qual a maior dificuldade em ser editora de um caderno de variedades?

GC: Pensar o todo é difícil. Percebi que não posso abraçar o mundo. Tento estar sempre atenta e informada e aprendo todos os dias com os colegas. Vivemos uma relação de troca muito rica e isso ajuda a lidar com um caderno como o Bazar sem desespero. Essa vontade de querer saber sempre mais me ajuda a ser uma jornalista melhor, a não ficar ultrapassada, mas além dos assuntos do Bazar, tenho que saber sobre o que acontece na cidade, no país e no mundo, como cidadã e como profissional, já que tenho plantão em alguns fins de semana e, nesses momentos, preciso estar preparada para escrever e editar qualquer assunto, de política a futebol
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Caymmi é destaque em minicurso do Interculte


Por Lucas Pondé

Como escutar Caymmi e não se encantar com o seu cantarolar. Ê cancioneiro popular! Num canto da terra para o mar. Paisagem musical que melhor simboliza a obra caymminiana. Dorival. De voz grave, carregada de força e sotaque. Como um sopro de vento que balança a rede na batida do violão.

Algumas canções do repertório de Caymmi, como Na Baixa dos Sapateiros, Marina e Vatapá, formam o objeto de estudo das professoras Viviane Gomes, Amanda dos Reis e Cláudia Santos, responsáveis pelo minicurso “Música e Variação Linguística” – realizado entre os dias 28 e 30 de outubro, durante a nona edição do Interculte (Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologia e Educação) do Centro Universitário Jorge Amado.

Neste ano, o evento abordou o tema “Entre Acordes e Estigmas, Um Olhar Antropológico da Música Brasileira”. Além dos minicursos que abordaram as diversas áreas do conhecimento, palestras e mesas-redondas completaram a programação do Interculte.

A professora Cláudia Santos destacou a importância da expressão artística de Caymmi para o estudo da língua portuguesa. “O modo de se comunicar de personagens típicos da cultura popular está representado tanto nas letras das músicas quanto na forma dele entoar algumas sílabas, palavras e expressões”.

Ela destaca alguns exemplos em Na Baixa dos Sapateiros - composição de Ary Barroso, gravada por Caymmi em 1959: “amô”, “bobage”, “bocadinho”, “sofrê”, “encontrá” e “contá”. “As variações linguísticas presentes em Caymmi fazem parte da norma popular da língua portuguesa”. O linguajar característico do povo brasileiro varia em função de aspectos relacionados à diversidade geográfica, à classe social e a faixa etária, segundo a professora.


Os conceitos de morfologia, sintaxe e morfossintaxe, que contribuem para o entedimento das variações linguísticas, foram revisados pela professora Amanda dos Reis. A morfologia diz respeito à classe gramatical que as palavras exercem (substantivo, adjetivo, pronome, etc), enquanto que a sintaxe analisa os termos da oração (a função sintática) que cada um desempenha. O último nível, a morfosintaxe, aborda o estudo paralelo entre as duas abordagens.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Professor Paulo Leandro discute a internet e suas influências nas culturas e relações interpessoais

Professor Paulo Leandro discute a internet e suas influências nas culturas e relações interpessoais

Autor: Diogo Marques Freire
Faculdade: Centro Universitário Jorge Amado – 6º Semestre

Em uma palestra concedida na manhã de terça-feira, o professor de jornalismo e jornalista Paulo Leandro discutiu sobre como a internet influencia o comportamento do usuario atual, e que tipos de situações ela pode trazer

Segundo Paulo Leandro, a internet permitiu que fosse possível sermos multiculturais, isso é, termos conosco mais de uma cultura além da nossa, devido ao ambiente na internet, altamente globalizado, que para ele, acarreta em “um prolongamento da adolescência, devido à dificuldade de escolhas de identidade entre diferentes culturas.”

Para o professor, a internet também nos deixa mais ansiosos, e isso não se refere somente aos usuarios comuns. Jornalistas acabam por operar na forma da “highway”, isso é, ser rapido e direto ao informar, e isso acaba influenciando a comunicação de maneira geral, com textos cada vez mais rápidos e curtos, simples e diretos. Além disso, a internet, com a sua “biblioteca” de informação, gera “comhecimento mais aprofundado das transformações radicais em curso no mundo atual, e pode ajudar a rever antigas certezas a respeito do ser humano.”


Ao final da palestra, Paulo demonstrou casos de como a internet influenciou e ajudou pessoas, usando como exemplos casos de casais que se conheceram pela internet, ou pessoas que encontraram seus parentes(filhos, pais, etc), além de mostrar casos em que isso dá certo, ou que dá errado, como pessoas que se decepcionam ao encontrar o seu amado.